Há alguns meses, decidi experimentar uma caminhada em grupo. Nunca tinha feito uma e pensei que pudesse ser divertido. Grande erro.
Éramos mais de 30 pessoas, entre mulheres e homens, além dos dois guias. Tudo começou logo com uma descida bastante íngreme, onde algumas mulheres, sem calçado adequado, quase caíram.
Ao longo do caminho, a conversa era alta e barulhenta, todos a falar de assuntos sem grande importância. Lamentei bastante ter tido aquela ideia de fazer uma caminhada em grupo, mas já ali estava, e decidi ir até ao fim.
A caminhada teve quase 10 km, entre descidas, troços em reta e subidas, sempre a subir o monte, até finalmente descer de volta em direção aos carros.
Foi sempre rodeada de barulho, conversas ruidosas e em fila. Caminhávamos e caminhávamos, com pequenas paragens para um lanche rápido, mas a conversa nunca parava.
Gosto de caminhar em contacto com a natureza, mas naquele passeio não consegui ouvir um único som de animal. Só barulho, muito barulho.
Que má ideia foi aquela. Aprecio profundamente o silêncio, a tranquilidade, a própria natureza, mas naquele contexto, isso não foi possível. O caminho em si era realmente bonito, e merecia bem ser desfrutado noutras condições.
Nas caminhadas que organizo, sou sempre eu e o cliente. E esse é, para mim, o número perfeito, onde é possível apreciar verdadeiramente a natureza e desfrutar de uma conversa agradável, com espaço também para momentos de silêncio.
Dois é o número mágico que vou manter. Retiros e caminhadas individuais são perfeitos para limpar a mente, recarregar energias e purificar.

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