E por aí abaixo vou

em 24.3.25

A minha aventura começou com a procura de umas sapatilhas confortáveis para caminhadas longas, à prova de água, com bom aspeto e adequadas para trilhos, com boa aderência para não escorregar, isso era essencial.

Depois de uma procura exaustiva, finalmente encontrei o par ideal, ou pelo menos era o que pensava.

Na primeira vez que as calcei, estava a chover. Pensei logo: "Excelente, vou já testar se são realmente à prova de água." Chovia pouco, mas o suficiente para as molhar, e ao chegar a casa tinha os dedos dos pés encharcados e gelados. À prova de água? Um saco de plástico protegia melhor, e ainda saía mais barato.

Ainda assim, decidi experimentá-las num trilho, afinal, essa era a característica mais importante, a aderência.

Tinha chovido na véspera, e o caminho estava enlameado e escorregadio. Ao iniciar a subida por um trilho estreito, onde só cabia uma pessoa de cada vez, a desgraça aconteceu.

Mal conseguia caminhar, as sapatilhas escorregavam tanto que pareciam ter manteiga na sola. Era um passo em frente e dois para trás. A certa altura, cheguei a pensar em continuar descalça, mas isso implicava carregá-las, e precisava das mãos livres para me segurar por onde podia, só para não ir ribanceira abaixo.

Foi um passeio desafiante, entre escorregadelas, roupa suja, mãos sujas, enfim, lama por todo o lado.

Ao chegar ao carro, olhei para aquelas sapatilhas de marca mundialmente conhecida, caras, "à prova de água", em sonhos, e com "boa aderência em trilhos", era mesmo uma boa piada.

Depois de várias caminhadas, acabei por descobrir o único piso onde elas realmente têm boa aderência, a passear no centro comercial. Mas atenção, se o chão estiver molhado, patinagem garantida.

Porto de Mós
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