Eu não tenho força

em 23.8.24

Este homem, de 40s, veio pela primeira vez. Com excesso de peso, desanimado, sem energia, transmitia a sensação de alguém que já não tinha vontade de lutar pela sua própria vida.

Sem companheira, tinha perdido o pai há alguns anos e teve de assumir o negócio da família, o que trouxe consigo bastante stress, contas para gerir e uma carga de responsabilidades que claramente pesava sobre ele.

Tinha consciência de que a sua vida e os seus hábitos alimentares não estavam bem, mas sentia que já não tinha forças para mudar. Estava ali, sobretudo, para relaxar um pouco e, por breves momentos, esquecer o peso do dia a dia.

À medida que a conversa avançava, partilhou que tomava medicação para dormir e para se acalmar. Este tipo de medicamentos pode criar dependência e trazer efeitos secundários significativos no organismo, incluindo ao nível da saúde sexual. Tinha noção disso, mas, nas suas próprias palavras, não sentia motivação para mudar.

Quando se deitou para a massagem, notei que tinha cuidado recentemente da sua aparência pessoal, um pequeno sinal de que, algures, ainda restava um pouco de autoestima e esperança por dias melhores.

Mais tarde, enviei-lhe uma mensagem só para saber como estava. Nunca recebi resposta.

Nem sempre conseguimos ver o resultado do cuidado que damos a alguém, mas cada gesto de atenção pode, ainda assim, deixar uma marca. Nestas situações, é importante lembrar que procurar apoio, seja de um profissional de saúde mental, de amigos próximos ou de um médico, pode fazer toda a diferença para quem sente que já não tem forças para mudar sozinho.

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