Este senhor, nos 40s, marcou uma massagem. Precisava de relaxar um pouco e de fazer aquela pausa na sua vida tão corrida.
Chegou apressado, a dizer que tinha pouco tempo disponível. Expliquei-lhe as opções de massagem, escolheu a que preferia, e quando lhe pedi para se preparar para começarmos...
Tocou o telemóvel.
Era a esposa. Dava para ouvir a voz dela, mesmo sem o telemóvel estar em alta-voz. Perguntou por onde ele andava, e ele ficou visivelmente atrapalhado, dizendo que estava no supermercado, a fazer compras, e que voltaria para casa dentro de pouco tempo.
Ela foi ficando cada vez mais exaltada, dava para perceber pelo tom que se ouvia do outro lado, e acabou por exigir que ele fizesse uma videochamada.
Ele entrou em pânico. O telemóvel começou a tocar, insistente, pedindo que aceitasse a chamada de vídeo. Desligou. Ficou bastante nervoso, pálido, e saiu apressado, como se a sua vida estivesse em risco.
As últimas palavras que disse foram: "Já volto."
Três anos depois, continuo à espera.

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