Este senhor, na casa dos 40 anos, veio pela primeira vez ao meu espaço, à procura de um momento de relaxamento. Uma pessoa forte, com excesso de peso e que, segundo ele próprio, comia e bebia muito bem.
A conversa inicial foi um pouco atribulada. Sempre que o tema se tornava mais sério e ele não se sentia à vontade, desviava-se do assunto com brincadeiras.
O telemóvel era uma presença constante, a tocar a todo o momento com mensagens e chamadas. Segundo ele, viver sem o telemóvel hoje em dia era impossível.
A massagem foi relaxante, dentro do possível, com um telemóvel a tocar constantemente ao lado, mas foi o melhor que as circunstâncias permitiram. Quando lhe perguntei se tinha relaxado, disse que sim, e bastante, o que me surpreendeu.
Quando saiu, agradeceu e disse que tinha gostado bastante e que ia tentar introduzir algumas mudanças na sua rotina diária, de acordo com a nossa conversa inicial.
Pensei que seria a primeira e última vez que o veria por ali. Enganei-me.
Passado algum tempo, marcou nova sessão e vinha visivelmente satisfeito consigo mesmo, pois já tinha alterado pequenas coisas que contribuíam para melhorar a sua saúde. E desta vez, apesar de ter o telemóvel ao lado, desligou-o durante a massagem. Fiquei admirada com esta mudança.
Passou a priorizar o seu bem-estar e o seu momento de relaxamento. Um excelente exemplo de como mudar o foco para si próprio.
O stress constante e a hiperconectividade (estar sempre disponível ao telemóvel) dificultam o verdadeiro descanso. Reservar mesmo que poucos minutos por dia sem ecrãs, e criar pequenos hábitos mais saudáveis de alimentação e movimento, pode fazer uma diferença real no bem-estar geral.
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